Convido aqui a lançarmos um olhar, a partir de algumas perspectivas a respeito de uma instituição que, sem a qual não estaríamos aqui hoje. A família.
Aqui, quase como uma licença poética, Nos referimos a família como: A mais atual das missões, em referência ao cenário atual. Os intensos movimentos sociais, onde, mais do que nunca, é necessário compreender a importância da vida em grupo, sobretudo a convivência em família e entender os objetivos dessas relações para que possamos ter um entendimento um pouco mais iluminado sobre os mecanismos reencarnatórios. Para a nossa própria evolução.
E assim como tudo que há no universo, o conceito de família está em constante atualização e enfrentando grandes provas.
Claro que a finalidade dessas provas são sempre para uma transformação. Muitas vezes preparando uma adaptação dos modelos sociais existentes, para as novas gerações de habitantes que estão chegando aqui neste educandário, que é o nosso planeta terra. E por incrível que pareça, nós somos os guias e os mentores encarnados dessa transformação.
“Os que encarnam numa mesma família, são Espíritos simpáticos, ligados por anteriores relações, que se expressam por uma afeição recíproca na vida terrena. (Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XIV)
Então as nossas ligações familiares, assim como tudo que existe no universo, não é obra do acaso. Essas ligações são projetos, desenhados e solicitados, muitas vezes por nós mesmos, enquanto desencarnados. E essas missões reencarnatórias tem várias motivações.
Kardec diz que os verdadeiros laços de família não vem da matéria, e sim da simpatia e da comunhão de ideias, os quais desenvolvem os Espíritos antes, durante e depois de suas encarnações.
Dois seres nascidos de pais diferentes podem ser mais irmãos pelo Espírito, do que se o fossem pelo sangue. Ao passo que dois irmãos consanguíneos podem viver em animosidade e até se repelem por isso. Observamos isso todos os dias na sociedade.
Eventualmente, uma encarnação pode ser compulsória, mas também, muitas vezes como súplica nossa, de reparação das grandes faltas que cometemos no turbilhão das encarnações passadas. Ou Seja, lá na erraticidade, estamos ansiosos para reencarnar e “consertar tudo”.
Mas esses projetos são supervisionados pela espiritualidade superior e orientados por nossos mentores e protetores, para que tudo saia conforme “planejado”, no tempo certo.
332. Pode o Espírito apressar ou retardar o momento da sua reencarnação?
“Pode apressar, como também pode postergar, recuando diante da prova, pois entre os Espíritos também há covardes e indiferentes. Nenhum, porém, procede impunemente, visto que sofre por isso, como quando nós nos recusamos a tomar um remédio capaz de nos curar de alguma enfermidade”. Quando evitamos o remédio, só estou postergando a minha dor.
Então chega a hora e recebemos a permissão. E nós reencarnamos. Chegamos ao mundo. E chegamos nas mais diversas condições. Espirituais e materiais. Encarnamos com mais ou menos recursos. Mais ou menos saúde. Mas se tem uma verdade absoluta aqui é que essas condições, são as necessárias para iniciar o projeto que eu mesmo co-criei com a espiritualidade superior.
No livro Missionários da luz, André Luiz, fala: O lar não é somente a moradia dos corpos, mas, acima de tudo, a residência das almas.
O lar é a primeira escola. É o grande núcleo de trabalho e aprendizado onde se encontram as almas que iremos nos relacionar, na busca de superar problemas, engrandecer afeições, reconciliar-nos com antigos adversários e instalar um clima de fraternidade nessas relações.
O lar, a família, é um grande educandário. E sabe quem são nossos professores?
Todos os que estão a nossa volta desde que nascemos. Sim, nossos pais, irmãos, a família chamada nuclear. Mas também, todos que cruzam nosso caminho na nossa existência. É um fato. Todos os seres que estão ou estiveram em mais ou menos tempo na nossa jornada, estão ou estiveram ali por um motivo.
E é muito importante que estejamos atentos a esse detalhe. Das pessoas que passam pela nossa vida. Pois a família terrena, muitas vezes parece pequena. Mas a nossa família espiritual é imensa.
E precisamos atentar aos ensinamentos dessas almas que passam por nós, enquanto encarnados. O que elas têm a nos mostrar? Sempre através das situações mais adversas, das complicações das relações, das animosidades, dos conflitos. Daquele sentimento ruim que nutrimos por tal pessoa e nem entendemos o porque daquilo. Bem como os sentimentos bons, as afinidades, o bem estar em companhia de tal pessoa. nem questionamos quando é bom.
Alamar Régis - Escritor e jornalista. Nascido no Rio de Janeiro, viveu a maior parte da vida na Bahia. Desencarnado em 2016. Foi um comunicador bastante polêmico, mas também um grande divulgador da Doutrina Espírita. Pioneiro na divulgação da doutrina através na mídia digital. Atuava intensamente nas redes sociais. Acompanhou Divaldo Franco em vários projetos.
Entre vários trabalhos, ele escreveu um livro chamado: Parente, uma praga na vida da gente.
Apesar do título irreverente. Pode perceber. No mesmo momento em que nós lemos o título, já lembrarmos de alguém que está presente em nossas vidas. E é aí a primeira reflexão a ser feita. Olha ai o nosso “vício” de julgar e condenar. É automático. Ouvimos a frase e já saímos catalogando quem são as “pragas” da nossa vida.
Mas nos esquecemos de um pequeno detalhe. Muitas vezes NÓS SOMOS ESSE PARENTE. Sem querer e algumas vezes por querer, somos impertinentes, intransigentes, egoístas. Dificultamos as coisas nas relações. E mais uma lista imensa de adjetivos que só comprovam que muitas vezes o motivo dos conflitos está em nós mesmos.
Nos melindramos facilmente com as coisas do cotidiano, basta não estar a nosso contento ou fora do nosso alcance, que já nos armamos em críticas, esquecemos de qualquer filosofia que possamos ter e instintivamente passamos a nos defender de algo que não faria a menor diferença nesse ou noutro momento. Uma conversa ou mesmo um silêncio resolveria aquela situação. Mas preferimos ter a falsa sensação de razão.
Emmanuel, através de Chico Xavier fala que, “a equipe familiar nem sempre é um jardim de flores. Por vezes, é um espinheiro de preocupações e de angústias, mas que nos pedem sacrifícios”.
E é claro que nós temos parentes maravilhosos, amigos que apoiam, ajudam, incentivam, estão sempre prontos nas horas em que mais precisamos. E nós também podemos ser esse parente. É uma escolha.
O limite é ultrapassado quando o orgulho, o ciúme, a vaidade, a inveja passam a coordenar as nossas atitudes com o nosso próximo. Eu, como pai, mãe, marido, esposa, irmão, primo, tio, tia, cunhado… Preciso me vigiar e sempre me questionar se minha atitude em família está equilibrada. Fácil? Mais fácil listar as pragas!
É preciso vigiar, principalmente quando me encontro numa posição relativamente confortável dentro de uma relação. Pois eu tenho dois caminhos: Impulsionar essa relação para frente, fazendo a minha parte, os meus esforços, ou eu posso manter tudo ao meu contento, com o argumento de que “estou só querendo ajudar”. Mas só se for do MEU JEITO!
Eu passo a manipular, e digo que é por amor, pelo bem de todos, mas começo a distorcer essa minha capacidade de “ajudar’, querendo que o outro lado da relação faça exatamente o que eu penso e não o que a relação em si precisa de fato.
Então é estabelecida uma relação onde esse parente, que pode ser eu mesmo, passa a tentar manipular a vida do outro, ou seja, se quiser ter uma convivência com essa pessoa, você tem que viver conforme os valores dela, pontos de vista, visão "moral". Enfim, nos tornamos um fantoche e a relação se torna praticamente inútil.
É de extrema importância que saibamos da nossa responsabilidade com as nossas relações de família. Vigiar primeiramente as minhas atitudes, para depois ousar especular a vida alheia.
Mas tudo isso é resultado de algo que nós já sabemos. Sabemos que existe, sabemos que é nocivo, sabemos que precisamos melhorar, mas esquecemos na hora de virar a chave da mudança. O orgulho. Então eu tenho razão sempre! Pois não estou atento a isso.
“O orgulho tem esse mecanismo de produzir uma ilusão da avaliação individual, transferindo o mal que há em mim, para os outros, onde é menos penoso, para mim, em verificá-lo.” (Ermance Dufaux - Mereça ser feliz)
Ou seja. É sempre mais confortável eu enxergar e avaliar as faltas do outro, do que me esforçar para me melhorar.
Hoje, há um pensamento que inicialmente parece bastante utópico na perspectiva da pluralidade das existências, abordado por alguns grupos da sociedade, que trazem a ideia da inutilidade ou da dissolução da chamada FAMÍLIA TRADICIONAL. Um tema bastante polêmico, mas que merece o nosso profundo respeito.
A motivação para isso tem vários panos de fundo. Preconceito, revolta, a não aceitação de algumas condições reencarnatórias, ideologias, tudo isso gera essas formas radicais de pensamento sobre a sociedade. Sobretudo a família. E são questões realmente muito válidas levantar.
Pois estamos vivenciando uma era de comunicação intensa e muitas vezes caótica. Uma comunicação egoísta, onde eu busco somente validar o meu ponto de vista. E com isso vou segregando os cenários, para que tudo fique ao meu contento. Precisamos harmonizar as formas de pensamento, para que haja diálogo, que hajam soluções para os conflitos.
E para que isso aconteça, é preciso que todos aprendam a expressar seus pensamentos, com respeito e fraternidade. Porém, não existe modificação real no ser humano, não existe um processo evolutivo, se ele não for submetido às relações, principalmente as familiares. Pois a verdadeira diversidade está dentro da família. Diversidade de moralidade, de caráter, de desafios que, se bem compreendidos, só nos elevam.
E as leis universais que promovem as atrações entre nós, são implacáveis.
766. A vida social está na Natureza?
“Certamente. Deus fez o ser humano para viver em sociedade. Não lhe deu inutilmente a palavra e todas as outras faculdades necessárias à vida social.”
Então, é preciso que essa discussão atual seja pautada pela consciência de que, quando colocamos uma lente de aumento nesse cenário dos reencontros familiares, não existe FAMÍLIA TRADICIONAL ou FAMÍLIA MODERNA, existem E SEMPRE EXISTIRÃO as RELAÇÕES. E são nessas relações, independente da configuração familiar, onde nós encarnamos, é que se encontra o nosso desafio de crescimento, de aprendizado, de humildade, de perdão, de redenção das nossas faltas atuais e passadas.
Dessa forma, é preciso lançar um olhar de gratidão quando nos referimos as nossas relações. Quaisquer que sejam a natureza delas. Pois são as relações, os propulsores da evolução. Seja pela dor, seja pelo amor.
Obviamente que as relações que se tornam nocivas, agressivas. As chamadas relações tóxicas. Precisam sim de um freio e até mesmo uma separação. Pois não há comprometimento de pelo menos um dos indivíduos. E a missão ali se torna perigosa e carente das atitudes necessárias para alcançar o objetivo daquela união.
775. Qual seria para a sociedade o resultado do relaxamento dos laços de família?
— Uma recrudescência do egoísmo.
Ou seja, se nascêssemos e logo em seguida fossemos deixamos para viver sozinhos. Primeiro que a humanidade não suportaria. Dada a nossa condição de dependência física e emocional nos primeiros anos de vida. E não por acaso.
Mas se cada um vivesse isolado das relações. É uma questão de avaliação lógica. O nível de egoísmo resultaria numa catástrofe social. Não existiria a sociedade como conhecemos hoje. Imensurável seria o nível do mal que se instalaria aqui neste planeta!
205. Segundo algumas pessoas, a doutrina da reencarnação parece destruir os laços de família, fazendo-as remontar às existências anteriores.
— Justamente é o contrário. A reencarnação os amplia, em vez de destruí-los. Baseando-se o parentesco em afeições anteriores, os laços que unem os membros de uma mesma família são menos precários. A reencarnação amplia os deveres da fraternidade, pois no vosso vizinho ou no vosso criado (ou naquela pessoa que passou por nossas vidas e nos deixou algo marcado) pode encontrar-se um Espírito que foi do nosso sangue anteriormente.
A família precisa ser pensada como uma egrégora.
Egrégora, ou egrégoro (do grego), Significa "velar, vigiar". É como se denomina a força espiritual criada a partir da soma de energias coletivas, fruto da congregação de duas ou mais pessoas. Egrégora também ser descrita como sendo um campo de energias extrafísicas criadas a partir da frequência emitida por um grupo de pessoas através dos seus padrões vibracionais. Ou seja, atração por afinidade. Estamos perto dos nossos iguais. Não nascemos jamais no lugar errado. Por mais penoso que nos seja admitir isso.
A própria ciência tem olhado para isso faz tempo
Bert Hellinger, o psicoterapeuta alemão. Através do que ele chamou de Constelações familiares ou Constelações sistêmicas.
Propôs que nós olhássemos com desprendimento e humildade para dentro da família, para os nossos antepassados, baseando a consciência dos conflitos, no intuito do perdão e do reconhecimento. Hellinger promoveu uma revolução no horizonte das relações familiares, instalando na própria ciência, um novo olhar na perspectiva do amor fraterno como elemento de cura nos processos educativos a que são submetidos às relações.
Rupert Sheldrake - O biólogo inglês. Pesquisador das conexões humanas e do comportamento animal. Identificou nas relações naturais, o que ele chamou de CAMPOS MÓRFICOS ou MORFOGENÉTICOS.
Que, apesar das necessárias nomenclaturas científicas, nada mais é do que a confirmação da nossa ligação através das frequências vibracionais com o universo, e aí incluímos todos os seres. Nos conectamos com o todo a partir das formas de energia nas quais vibramos.
E aqui a ciência responde aquela pergunta. Mas eu só faço o bem, porque só me aparece gente desse ou daquele jeito?
CONSCIÊNCIA AO ESTAR EM FAMÍLIA
Estamos nessa família por motivos diversos. Mas todos os motivos são de extrema importância para a minha evolução. É preciso que estejamos cientes do nosso dever com a família. Sejamos portanto, o centro inteligente e espiritual da nossa.
Cada membro com sua forma de compreensão do seu papel ali naquele cenário de reencontro de vidas milenares. Vidas essas em pleno ritmo de evolução na busca da libertação do apego que temos ainda das vivências mais primitivas, em busca da iluminação da consciência, para quem sabe um passo a mais na direção da leveza da vida espiritual.
Com o tempo, as vezes muito sutilmente, ou as vezes de formas mais bruscas, algumas afinidades se transformam em animosidades. Sabemos bem. Ahh! Mas éramos tão unidos “naquela época”. Como chegamos a isso? Isso quando temos a consciência de parar e nos fazer essa pergunta. E então seguimos em frente com a visão distorcida sobre quem realmente somos ou sobre a nossa posição diante dos demais membros da família.
Principalmente diante dos conflitos. E concluímos: É, ele errou comigo. Deixa assim. Ou fico esperando um pedido de perdão por 40 anos. E nada acontece. Cristalizamos uma encarnação inteira, por orgulho e vaidade.
Nos falta o pensamento de gratidão. Pois é somente pelo fato de encarnarmos em família que podemos transitar pelo universo na marcha evolutiva. Nos falta olhar para nossa família. E dizer:
Gratidão à família
Reencontrar vocês nessa existência foi uma grande alegria. Um banquete de boas lembranças. E um chamado para reparos das nossas faltas anteriores. Pertencer a esta família, cada qual com suas crenças, suas manias, suas maneiras de receber e conceber a vida, foi um presente para a minha evolução. O que vale é a conquista da harmonia e quebrarmos as paredes do orgulho. Mas iremos ainda mais a fundo. Reuniremos todos em um só coro recitando sobre a responsabilidade e a honra de ser um elo que deixa mais forte a corrente da irmandade Universal. A oportunidade de estarmos aqui juntos, é um convite a novas responsabilidades. Essa é a renovação do conceito “família” que é preciso reforçar na mente e nas atitudes de cada um de nós.
Gratidão e respeito pela nossa ancestralidade
Foi pelo concurso de grandes esforços e dores profundas que hoje tenho a oportunidade de aqui estar.
Reconheço o tamanho do trabalho para me trazer até aqui. Eu entendo até mesmo as atitudes que não foram tão santas, em nome da família. Eu sou grato pelas suas lutas. E eu quito aqui, através do perdão, as nossas dívidas. Limpando todo histórico credor, não restando nada além da bagagem da nossa história. Eu assumo o controle daqui para frente. Eu me despeço de todas as mágoas e dores passadas. Eu sou grato a todos vocês e vou levá-los comigo em todas as minhas realizações.
Confira o vídeo desta palestra Aqui.
Referências
DUFAUX, Ermance (Espírito): psicografado por Wanderley Oliveira. Mereça ser feliz. DUFAUX, Belo Horizonte, MG 2002.
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. 82 ed. Rio de Janeiro: FEB, 2001.
KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução de Salvador Gentile. 349 ed. São Paulo: LAKE, 2008.
RÉGIS, Alamar. Parente, uma praga na vida da gente. 1 ed. Rio de Janeiro: Arc, 2007.
SHELDRAKE, Rupert. Ressonância mórfica: a teoria do centésimo macaco. http://www.esalq.usp.br/lepse/imgs/conteudo_thumb/Resson-ncia-m-rfica.pdf
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