Ecos Tardios



Me vejo então debruçado em um abismo de informações promissoras, livros novos trazendo esperanças. Os li todos, sedento pela vida encaixada no normal que eu sempre temi estar. E chegou.

Segui, defini, decidi, atuei, apostei, trabalhei, perdi, voltei, cansei. Cresci. Cresci?

Toda matemática inútil que burilou meus pensamentos em todo trajeto até aqui, me faz pensar o quanto inócuos podemos nos tornar quando deixamos de ser e impor a nós mesmos a nossa essência.

Dei vida aos sonhos alheios e os levei até onde pude. Enquanto os meus sonhos enferrujavam numa prateleira velha, para parecer tão antigos quanto meu espírito. Jamais os usei por pensar que já os estava usando.

Viajei para sentir minhas asas. Degustei um sabor de mim mesmo a cada passo solitário mais longe que dei fora do ninho. E gostei. E soube que era meu. E perdi.

A ausência do medo é ainda mais traidora quando enfrentamos as inúteis e monstruosos engodos sobre a vida. E nos achamos grandes guerreiros golpeando fios de água com nossa espada pesada.

E quando percebi, estava debruçado sobre os mesmos livros, tão empoeirados agora, gargalhando da minha imagem pesada. E segui olhando para o vazio que eu mesmo criei.

Mas somos páginas em branco, e até o fim do dia é preciso escrever uma história. E sempre haverá um novo dia para sermos absolutamente nada. Somos ecos que chegaram tarde demais. Outro dia, outro dia, outro dia...

E eu garanto que ninguém jamais vai me encontrar pintando a cerca do meu jardim. Pois não há jardim. Não há espada, não há outro dia que não seja igual ao outro dia que já foi.
Foram doces horas com amargas despedidas em dias lindos tão normais.

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